Autor em Evidência

Meus amigos, é um absurdo o que está acontecendo com esses profissionais. Essa sim deve circular para todos nossos amigos.

Campanha “O AUTOR EM EVIDÊNCIA”.

Com adesão imediata de amigos compositores, dramaturgos e roteiristas, entre outros, Alfa Santos lança em Salvador a campanha “O Autor em Evidência” , que visa mobilizar a classe artística e o público de um modo geral em prol de agregar reconhecimento e melhorias nas formas e condições de arrecadação e distribuição dos direitos autorais, tendo como base a consciência de que é ele, o autor, o responsável pela proposta e o pontapé inicial no surgimento de toda obra. E nos dias de hoje, por praticidade (a qual Alfa Santos denomina de superficialidade) de informação, nem sequer menciona-se o nome desse profissional na apresentação, execução ou divulgação de quaisquer obra, sobretudo a musical, que está tendo em seu consumo um apuro muito menos expressivo.
Ressalte-se ainda que, mesmo parecendo “advogar em causa própria”, o objetivo de Alfa Santos com essa campanha é reconquistar o espaço e o reconhecimento que lhes foram abruptamente tomados por descuidos e insensibilidades na apreciação das obras de arte coletivas, desconsiderando-as como um trabalho de grupo em que (os componentes estando ou não diretamente ligados), seu êxito se deve a um conjunto de contribuições imprescindíveis para o destino irrefutável da mesma.
Contribuição do amigo, compositor Alfa Santos

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

EXISTO...?

Hoje sou o que não fui ontem,
Hoje sou o que não quero ser amanhã.
Ontem queria ser o que sou hoje.
Mas a mudança amedronta a nossa existência terçã.


A existência é a apirexia,
Entre a inexistência e a inexistência.
Aproveito este intervalo inferior a um dia.
Mas do ontem sofro muita influência.


O que fazer para que essa febre afaste-se de mim?
O que posso fazer para ter-vos próximos a mim?
O que não devo fazer para afastá-los,
E à vossa companhia a mim apascentar?


É complexo não ser de um eixo real,
Não permanecer na sobriedade,
Não vir de um ideal,
Nem ao menos tê-lo com seriedade.


Meus amigos existem,
Não faças-me de tôlo.
Não é porque se a ti vierem
Que estou agindo com dolo.


A minha é ignominiosa.
Não preciso de uma honrosa,
Não a mereço a bela existência
Que desfrutas com destreza habilidosa.


Fui,
Não vi.
Fico,
Não percebi.
Existo,
Não senti,
Inexistente, ignominiosa, desabilidosa
Existência do meu ser.

Fernando Guedes
29/08/2011

ELA

Ah bela arquitetura!
Colunas bem torneadas.
Funcional e com bom funcionamento.
Belíssimas torres de sustentação.
Os sons que emites,
São de bom grado.
A ressonância atinges com facilidade.
Sou suspeitoso, pois sou admirador.
Uma bela construção,
Feita de um modo atemorizante.
Tua cobertura dourada,
Tal qual o mais brilhante, raro, ouro.
Tua pintura tão alva quanto as pétala do lírio.
Tua fragrância, tão hipnotizante,
Faz-me lembrar da sinfonia de aromas num campo de flores.
Não há o que dizer, para expressar a admiração.

Sustentas, em teu interior,
Belíssimas idéias.
Atrai para ti todos os olhares.
Os meus, aliás, não conseguem desviar dos teus detalhes.
A tua fachada impressiona.
A tua grandeza, torna-me ínfimo.
A tua beleza, essa sim, torna-nos escravos.

A espontaneidade,
Faz-te mais bela.
Teu modo não tão reto,
E sim um tanto desajeitado,
Da o charme necessário,
Para me fazer sentir atraído.

O que fazer?
A única coisa que me é permitida,
Passar na tua frente, admirar à distância.
Não ouso, nem ao menos sentar à tua porta.
Passo, ao menos na calçada,
Todos os dias me vês,
Mas não percebes a mim.
Sou como os grãos de areia ao teu redor.
São muitos admiradores e sou apenas mais um.
Haverá um dia, e este será próximo,
Que não serei apenas um,
Mas, serei ‘O’.

Enquanto isso,
Deixo-me levar pelo vento,
Que me impulsiona para o teu lindo ornamento.

Fernando Guedes

terça-feira, 20 de setembro de 2011

VIDA VINDA DE LÁ

Hoje estou rompendo com você,
Não me procure mais,
Não há mais nada que se possa fazer,
Apenas a despedida à beira do cais.

Navegarei em sentido contrário,
Não mais seguirei a mesma trajetória.
Nesta involução a qual mantenho meu numerário,
No eixo de involução que une toda a minha história.

Volta, por quê?
Pra quê?
Quando e onde novamente encontro você?
Nem eu, nem você sabemos dizer.

Assim como faço, faças também,
Despeça, dispa-se, vamos além,
Venha sem perguntar a quem,
Não importa mais onde irei declamar o Amém.

De quem me despeço?
Dela, da perversa, da ingrata,
Da não viva vida que com tua respiração me mata,
Não mais olho pra ela, e todos meus crimes confesso.

Oh amiga, inexorável, somente tu ao Seol pode me encaminhar,
Com Hades,
acompanhado quero estar,
Chorarei, a todo tempo que tenho a companhia do Muar,
Perecerei no caso de ainda vivo estar.

Da vida, a morte é prima,
Com ambas e o transitório, é possível observar uma tercina.
Mas uma pela outra não prima.
E com morte, vida não rima,

Vou seguindo ate o fim chegar,
Na corrente contrária à evolução,
Involução em eixo sem fixação,
Norteado pela desnorteio de um obscuro luar.

                               Fernando Guedes
                                    11/04/2011

CORAÇÃO

Não estou perdido,
Só não sei por onde ando.

Não parece ter sentido,
Permito a vida ir me guiando. 

Ao me deixar guiar,
Não sei onde cheguei,
Terra estranha,
Parece que aqui sozinho estarei. 

O cárdio de outrem,
Porção de chão desconhecido.
não entendo mesmo que me falem,
antes de entender já terei perecido. 

Bomba do fluido da vida?
Não. Centro das emoções.
Daqui não vejo entrada, não vejo saída.
Então, fico quieto para não causar-lhe lesões. 

Sensação de aturdimento,
Não saber onde estou me causa sofrimento.
Não me permito desatento.
Por não saber onde estou, cair em lamento. 

Não ando por onde conheço,
Pois o conhecido e desfavorecido de graça.
Não quero saber como lhe pareço.
Sinto-me em outras terras perdido à praça.


           Fernando Guedes

AMIGOS

Reúno meus amigos,
Bebo uma coca-cola.
Em meio à noite,
À meia noite.
Contamos casos assombrosos,
Ao Léo,
Seja o Play ou o Brutal,
Um pouco de terror não nos faz mal.
Seja no caminho de casa
Ou no Luau,

Encontro meus amigos,
Em um copo de cerveja,
Ou numa garrafa de vinho.

om fones do mundo me desligo,
Ouço bolero, reggae o metal,
Brega ou axé,
Somente o silêncio me faz mal.
Não me assusto com o ouija
Nem vivo à marginal,
Me envolvo. Não devia?

Uma tarde de concertos
Ou tocando violão,
Não preocupado com os acertos,
Somente com a união.
Numa mesa de Bilhar
Risos e Graças,
Caminhando ou parados em um dos bancos da praça.

Chamo meus amigos,
Para uma despedida celebrar
Celebrar? Comemorar?
Ou Chorar? Prantear?

Não se vão velhos amigos,
Ainda que se vão,
sempre me levam consigo.

Fernando Guedes